O Comilão
Esta nunca foi uma receita que alguma vez me tivesse lembrado de fazer. Para além de ser fácil ir ao supermercado comprar, também nunca gostei muito. Sempre achei um pouco enjoativo e com um estranho sabor no chocolate. Há uns dias, um amigo emigrante perguntou-me se sabia alguma receita para este snack/sobremesa que, pelos vistos, é muito típica em Portugal e Itália. Como tem chocolate, achei que valia a pena experimentar, pelo sim, pelo não.
Não posso garantir que tenha aquilo que as pessoas gostam no salame, mas posso dizer que sabe mesmo a chocolate e que é cremoso. Não sei o que podemos querer mais nesta vida. Cá fica a receita que dá para 2 salames, porque só 1 seria pouco ambicioso:
- Vamos então precisar de duas taças. Uma de vidro ou metal, para o banho-maria, e outra qualquer;
- Para a taça em banho-maria vão 85g de manteiga, 200g de chocolate preto (ou 100g + 100g de chocolate com pistácio, ou amêndoa ou avelã, por exemplo) e uma pitada de sal;
- Enquanto vai derretendo, pega-se noutra taça e batem-se 2 ovos com 70 de açúcar;
- Pode-se, neste tempo, partir também 200g de bolacha maria. O tamanho dos pedaços é ao critério de cada um. Podem parti-las ao murro que não conta como violência doméstica;
- Quando o chocolate e manteiga estiverem derretidos e naquele ponto de brilho que é terapêutico, junta-se a mistura de ovo aos poucos, para não se ficar com ovos mexidos de chocolate (uma receita a pensar…);
- Depois de mexer bem até estar homogénea a mistura, junta-se as bolachas partidas e envolve-se tudo até parecer ali um paparrote que não presta pra nada.
- Tira-se do fogão e deixa-se arrefecer 15 minutos;
- Depois de arrefecido, corta-se 2 rectângulos de papel vegetal para dividir a mistura por eles. Enrola-se cada salame com um diâmetro de 7cm ou perto disso. Também não é preciso andar com o paquímetro a ver.
Conselhos de Comilão
- Já nem é preciso dizer, mas quanto melhor for o chocolate, melhor é o salame. Não usem chocolate de culinária.
- Se não quiserem estar com a brincadeira do banho-maria, também podem derreter o chocolate e manteiga no micro-ondas, de 30 em 30 segundos mais ou menos.
- Querem experimentar com outra bolacha? Estejam à vontade com umas digestivas ou mesmo de chocolate. Alguma vez chocolate com chocolate ficou mal?
Ora bem, se quiserem, podem comer logo, mas é melhor esperar 2 horas para ficar consistente. Agora, se gostam de ficar com as mãos e a cara cheias de chocolate, quem pode, no fundo, criticar? Mas façam a mais, porque salame caseiro é uma excelente ideia para uma mesa de Natal.
Se pensarmos bem, comer moelas mete um bocado de impressão. No entanto, se tivermos em conta que há um prato típico em Portugal que vem para a mesa com cheiro a amoníaco e urina, comer esta parte da galinha já não parece assim tão estranho.
Muitos países têm pratos tradicionais feitos com moelas, sejam elas de galinha, pato ou peru, mas em nenhum se faz moelas estufadas desta maneira e muito menos se torna num petisco nacional. E digo isto sem conhecer o mundo inteiro, mas se conhecerem algum que faça parecido, de certeza que copiaram de nós, os canalhas. Vamos então a esta receita que até o meu gato saberia fazer, e eu nem gato tenho.
- Começa-se por preparar 1/2kg de moelas. Gosto de parti-las a meio, pelo menos, e tirar muito da parte branca que não se desfaz tão bem na cozedura;
- Picar 1 cebola média e 3 ou 4 dentes de alho e deitar para um tacho com 3 ou 4 colheres de sopa de azeite. Juntar também 2 folhas de louro, de preferência frescas;
- Picar finamente uma malagueta e os talos de um ramo de salsa e juntar ao estrugido, com 1 pitada de sal;
- Juntar as moelas, envolver e, passado 1 minuto, regar com 1 copo de vinho branco. Deixar ferver até o álcool ir à vida dele;
- Pegar numa lata de tomate pelado e cortar em pedaços pequenos, com mais um pouco de sal. Se a vossa faca não conseguir cortar latas, cortem só o tomate. Junta-se ao tacho com uma colher de sopa de tomate concentrado e deixa-se fritar 2 minutos;
- Juntar uma cerveja, ferver um pouco e reduzir o lume para perto do mínimo e tapar. Cozer durante 1h30m ou 2h.
Conselhos de comilão
- Podem substituir o tomate pelado por polpa ou tomate fresco, mas cada forma de tomate tem as suas vantagens e desvantagens. O tomate pelado, é muito fácil de partir e tem um sabor mais verdadeiro, comparando com a polpa.
- Também podem substituir a malagueta por piri-piri em molho, mas mais uma vez, a malagueta é mais natural e não estão assim a juntar mais azeite.
- Convém ir vendo se o tacho tem muito ou pouco líquido. Ninguém vai para o jacuzzi para estar completamente submerso nem só para molhar os pés.
Moelas estufadas podem ser acompanhadas com arroz, pão ou as duas coisas, como eu gosto. Podem nem ser acompanhadas com nada ou fazer parte de uma mesa de tapas à portuguesa. Só não acompanhem com massa cozida, senão eu vou a vossa casa e atiro o prato pela janela. Não me importa se vos está a saber bem. Dormir também é bom mas é preciso acordar. Enfim, moelas inspiram-me metáforas.
A cozinha japonesa está cada vez mais presente nas nossas vidas e cada a vez a vamos conhecendo melhor. Pode-se mesmo considerar já uma amiga. Começámos por só a ver ocasionalmente num jantar de sushi mas entretanto fomos ficando mais próximos com almoços de ramen e encontros rápidos de donburi e okonomiyaki. O tonkatsu não é menos popular e com razão: é um prato facílimo, barato e que nos deixa satisfeitos mas com vontade de comer mais no dia seguinte. Vamos à receita.
- A costeletas (sem osso, claro), bifes do lombo ou bifanas com cerca de 1 cm de espessura, retira-se a gordura principal. Com um martelo ou com a parte de trás da lâmina da faca, batam na carne para a tornarem mais tenra e para mostrar quem manda afinal;
- Tempera-se com molho de soja e um pouco de pimenta moída na hora;
- Pana-se a carne: passa-se por farinha, 1 ovo com meia colher de sopa de óleo batidos e depois pelo panko;
- Aquece-se óleo num wok a 180ºC suficiente para submergir o. Atirem para o óleo um pedaço de panko e se ele ficar a flutuar e fervilhar gentilmente é possível que estejam na temperatura certa;
- Frita-se o panado 1 minuto em cada lado e retirem para um prato com papel absorvente ou uma rede. Deixa-se repousar 4 minutos e depois volta-se a fritar no óleo 30 segundos em cada lado;
- Enquanto a carne arrefece, faz-se a salada com couve branca e roxa cortadas finamente, temperada com molho de soja e pimenta, juntando depois maionese japonesa na quantidade suficiente para que fique só ligeiramente cremosa;
- Parte-se o panado em fatias, coloca-se no prato e rega-se com um fio de molho para tonkatsu. Acompanha-se com a salada.
Conselhos de comilão
- Escolham um óleo de girassol para fritar, por exemplo. Quanto melhor o óleo, mais dourado e estaladiço fica.
- “Porquê a maionese japonesa em vez da normal, seu comilão dum raio?” No tonkatsu tradicional, só se acompanha com couve cortada, eu é que me meti a inventar, armado em fino. Por isso, para manter a frescura e simplicidade mas ao mesmo tempo acrescentar um elemento cremoso à receita, a japonesa é muito melhor, porque é mais leve e suave.
- O molho tonkatsu é muito difícil de substituir. Tem um sabor ligeiramente parecido a ketchup misturado com molho worcester. Se puderem, comprem, porque vão querer usá-lo em mil e uma coisas.
Esta receita foi altamente inspirada pela Royal Market, uma loja que está recheada de produtos para cozinha japonesa e é lá que podem encontrar estes especiais. Qualquer pessoa que goste de cozinhar fica entusiasmada com ingredientes novos e a Royal Market é como encontrar um baú deles. Ah, e os pratos que referi no início, também os vamos fazer e partilhar. Itadakimatsu!
